terça-feira, 2 de março de 2010

2ª BIENAL SESC DE DANÇA


Chegamos ao ano 2000 e com ele, a 2ª Bienal Sesc de Dança, muito aguardada por mim. Tive uma participação mais ativa, assistindo muitas apresentações artísiticas e fazendo os quatro workshops proporcionados pela bienal. Devo dizer, que essa bienal foi uma das melhores, onde aprendi muito. Os workshops foram muito bons e o melhor deles foi o de Amélia Bentes ( de Portugal), onde tive a opotunidade de conhecer Morena Nascimento e o meu amigo Alexandre Reis, da Cia. Contemplo que também o faziam, e também o workshop de Maria Paula Rego, da Grial Cia. de Dança onde existe um maravilhoso trabalho de pesquisa com a cultura e a dança nordestina. Assisti à apresentações significativas como "Aquilo de que somos feitos" da Cia. de Lia Rodrigues, da Cia. Grial, de Ruth Rachou, etc. Essa Bienal me marcou muito em todos os sentidos. Conheci Mestre Salustiano e seus filhos que me influenciaram a buscar conhecimento nas danças populares, onde aprendi cavalo marinho e um pouco das danças populares. Foi um momento maravilhoso, e apesar da minha ingenuidade, essa bienal serviu de base para minhas conquistas tanto na dança como em meu trabalho profissional.
* A foto acima é da Cia. Amélia Bentes.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

36º FESTIVAL MÚSICA NOVA

No ano de 2000, a minha professora de dança contemporânea resolveu inscrever um grupo de alunas para apresentação no 36º Festival Música Nova, que possuía uma noite voltada para grupos de dança que elaboravam coreografias com músicas dessa tendência. Éramos seis. Eu, Ana Clara Moreno, Cristina Peres Neves, Fabiana Cotrim, Míriam Tavares e Sibele Figueiredo. Com coreografia de Sandra Cabral, a peça se chamava Suíte para um Tempo Interminável, com música de Lívio Tragtenberg (fragmento de Pasolini Suíte), e o grupo se apresentou com o nome de Cia. Dança Muda. A apresentação foi na noite de 1º de setembro, uma sexta-feira ás 21hs, no Teatro Municipal de Santos. Foi uma grande emoção e um grande passo para mim, que acreditava estar ingressando no mundo da dança com verdade e propriedade. Guardo saudades desse momento, mas outros viriam.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Morena Nascimento, simplesmente maravilhosa

A PROFESSORA

A partir de 1999 entrei no mercado de trabalho ministrando aulas de teatro em escolas de educação infantil em Santos. Foi difícil começo. com a cara e a coragem elaborei um projeto e fui de escola em escola, marcando entrevistas por telefone ou simplesmente camelando em busca de quem acreditasse no meu trabalho. Com dificuldade consegui algumas escolas em que continuei o trabalho por alguns anos, outras escolas não compreendiam o trabalho e não quiseram dar continuidade, mas todo ano, renovava com algumas e conseguia outras. Ganhava muito pouco, mas gostava do contato com as crianças. Aprendi muito com elas, e sou grata pelo carinho que elas me deram. Ainda lembro de momentos emocionantes vividos com elas, apresentações de finais de ano, despedidas e pequenos gestos e atitudes dos pequenos que me fizeram perceber o quanto amo os seres humanos, apesar dos pesares... Com o passar do tempo fui além das aulas de teatro, dando aulas de sensibilização musical e ballet com a minha experiência das aulas de contemporâneo que já vinha fazendo há um tempo. Cheguei a dar aulas de dança para a terceira idade na Unisantos, substituindo a professora em seu recesso por gravidez, e foi uma experiência maravilhosa, pois já trabalhava com crianças e trabalhar com a terceira idade me fez crescer profissionalmente. Gostaria de agradecer e citar algumas das escolas em que fui acolhida: Jardim da Infância Floresta Encantada; Núcleo de Educação Infantil Panda; Pueritas Berçário e Núcleo de Educação Infantil; Núcleo Infantil Pin Pan Pun; Núcleo de Recreação Infantil Fazendinha da Criança; Núcleo de Educação Infantil Brincando Sério; Universo da Criança; Tindolelê, e outras mais, todas na cidade de Santos . Gostaria de dedicar esse post à todas as crianças que trabalhei e que hoje devem estar bem grandinhos... amo vcs! Um beijo enorme e espero que sempre lembrem da Tia Jean.

domingo, 31 de janeiro de 2010

"O Sonho"

"SOMOS DA MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS SONHOS E NOSSA PEQUENA VIDA SE COMPLETA COM O SONO."
'O Sonho', meu primeiro ensaio corporal, vem de encontro ao desejo de expressar os sentimentos inerentes ao ser humano. É preciso 'acordar' da realidade e mergulhar no sonho para encontrá-los. Meu trabalho é simples, sem grandes ambições técnicas. Acredito no movimento nato, na experiência corporal de cada indivíduo, associada a emoção. Todo ser humano tem um caminho individual, imutável e instransferível, que espera o dia de ser descoberto. O meu caminho é a dança. A sociedade chama esse caminho de arte, eu chamo de encontro com Deus. Assim como Maurice Béjart, acredito que: "A palavra divide. A dança é união. União do homem com seu próximo. União do indivíduo com a realidade cósmica. O homem está só diante do incompreensível. O lugar da dança é nas casas, nas ruas."
Através da dança liberto o meu espírito, descubro o meu verdadeiro ser, sem as tantas máscaras que usamos na vida. Ás vezes, as máscaras são tantas que não sabemos mais quem realmente somos. Quando o espírito está liberto, fora de mim, fora das máscaras, finalmente me encontro. Então, meu corpo diz o que sinto, meu corpo fala o que não pode ser dito com palavras, e nesse momento sei que Deus realmente me vê.
Foi com esse pequeno trabalho de aproximadamente 5 minutos que me apresentei publicamente pela primeira vez. Foi em uma exposição de fotos do artista plástico e fotógrafo Gregorio Nucci, na Galeria das Fotos em Santos, no dia 3 de dezembro de 1998. Essa performance foi dedicada a minha filha Hannah, meu sonho real.

Segue a ficha técnica:
Criação e interprete: Jeanice Ferreira
Preparação corporal e consultoria: Sandra Cabral
Figurino e adereços: Jeanice Ferreira
Músicas: 'Lacreme Napolitane' (L. Bavio - Buongivanni) e 'Vurria' (F. Rendini - Alberto Pugliese) ambas interpretadas por Zizi Possi.
Pesquisa:
Literatura: Dançar a vida, de Roger Guaraudy; A Tempestade. W. Shakespeare
Cinema: Esse mundo é dos loucos, direção de P. de Broca
Teatro: Nô japonês
Dança: Butoh

sábado, 16 de maio de 2009

Experimentando...


O ano seguinte (1997) foi por assim dizer um ano de mudanças... Agora eu tinha um objetivo. Já em janeiro participo de um curso de expressão corporal e conscientização ministrada pela atriz e bailarina Marisa Matos no Sesc Santos (aglutinador de cultura e arte em Santos), simples e prático, me deu coragem pra seguir adiante. Findo o curso me matriculei no curso de dança contemporânea do mesmo Sesc. Na primeira aula me senti um patinho feio, mas um patinho feio feliz da vida por estar ali. A professra, Sandra Cabral, muito me ensinou e despertou meu corpo adormecido. Não esqueço aquela primeira aula, em minha ingenuidade achava que meu sonho se realizara e me sentia fazendo parte de algo. Durante esse ano todo me dediquei as aulas e participei de diversos workshops de companhias de dança no Sesc. Foi um ano de encantamentos. Em 1998, continuei com as aulas e os workshops e conheci a eutonia e as práticas orientais como o tchi kun o Liang kun e o tai chi que acrescentaram novas estruturas para meu corpo em aprendizado. Em setembro chegou a I Bienal Sesc de Dança que trouxe vários espetáculos e uma oficina com Ivaldo Bertazzo inesquecível. Infelizmente sinto que não aproveitei o suficiente. O final do ano revelaria uma surpresa, mas isso já é outra história...

sábado, 4 de abril de 2009

Finalmente: A DANÇA



Já fazia tempo, eu sentia sua falta, então, finalmente, em 1996 resolvi procurar alguma coisa que me aproximasse dela. Nesse ano, no SESC Santos, houve uma Mostra de Dança Arte Educação, de 28 de julho à 3 de agosto. Assisti a palestras, mostras de vídeo, mesas redondas e tive até a ousadia de participar de um workshop. Conheci pessoas e idéias que muito tinham haver comigo. Assisti espetáculos que me deixaram com água na boca e mais vontade de participar desse mundo tão lindo que é o mundo da dança. Terminada a mostra corri atrás do prejuízo (tantos anos da minha vida). Participei de oficina de danças folclóricas, e uma oficina muito especial: que foi "Dança Movimento Interativo", com a conceituada atriz e bailarina Maristela Sild, que hoje em dia se encontra na Espanha. Esse ano de 1996, foi decisivo, foi quando eu abri as portas da minha vida para deixar a dança entrar. Foi o ano em que conheci nomes como: Christine Greiner, Kátia Canton, Maria Momenshon, Norval Baiello, Helena Katz, entre outros. Pessoas que eu iria encontrar outras vezes, e admirar seus trabalhos. Foi nessa mostra também que pude conhecer melhor o que era a dança contemporânea. Mas, eu estava apenas começando...

sábado, 7 de março de 2009

PROJETO TEATRO SESC


Em 1985 me matriculei no curso Projeto Teatro Sesc, em Santos. Foi um ano decisivo em minha vida. Foi a primeira vez em que tive contato com um palco. Não exatamente da forma que eu queria, mas mesmo assim sou hoje o que sou e tenho tudo o que tenho por isso. No curso tínhamos aulas de interpretação, dramaturgia e história do teatro com Renata Zanetha e Neyde Veneziano, aulas de canto com Paulo Damasceno(já falecido) e expressão corporal com Rosa Mendes Freire. Do curso resultaram várias montagens, da qual participei de duas. Do curso, conheci o pai da minha filha, o melhor fruto. Do curso, minha vida tomou rumos da qual eu mesma não esperava. A dança teria que esperar ainda alguns anos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

BALLET STAGIUM


Quando eu estava no Ensino Médio, na minha sala tinha uma menina que fazia ballet no Teatro Municipal de Santos. Os cadernos dela eram encapados com fotos do Ballet Stagium (aquelas famosas do fotógrafo Emídio Luigi). Bem, eu achava as fotos lindas e desejava ardentemente ser como aquela menina. Acho que foi meu primeiro contato com o Grupo Stagium que naquela época (1982) se destacava no cenário da dança nacional. Nunca tive coragem de tentar ser o que desejava ser. Acho que até hoje sinto dificuldades com isso. Mas, pelo menos ao escrever e falar sobre essas coisas me trazem de volta o momento em que as vivi. Não me lembro mais o nome da menina, mas lembro que um dia, desejei irremidiavelmente ser ela. Espero que ela seja feliz.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Continuando...


O primeiro ballet que assisti num teatro foi em Santos, no Teatro Municipal, e era o 2º ato de Giselle, que com aquele tom melancólico me emocionou muito. Não me lembro qual companhia se apresentava, mas acredito que devia ser de algum prestígio, pois lembro que a apresentação era muito bonita, com cenários e figurinos requintados. A segunda apresentação que assisti foi alguns anos mais tarde e era a 1ª apresentação da Cia. Cisne Negro do ballet Quebra-Nozes, em conjunto com a Cia. Valderez de Santos. Guardo o cartaz-folder até hoje. Foi muito lindo e lembro que me sentia tão frustada por não estar fazendo ballet. Eu achava que era algo muito fora do meu alcance, mas ao mesmo tempo desejava. Hoje penso que eu não acreditava em mim ou não acreditava na dança.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Falando sobre dança

Olá! Meu nome é Jeanice, mas todos costumam me chamar de Jean. A criação deste blog é para externar o meu amor pela dança e para que ele sirva de palco para discussões, opiniões ou simplesmente falar sobre dança. Acho que o meu primeiro contato com a arte veio através de minha avó que tinha um piano em casa. Ela que teve uma infância difícil, tinha que tomar conta de vários irmãos pequenos, já que era a mais velha e conseguiu realizar o sonho de tocar piano já com certa idade, casada, sonho proporcionado pelo meu avô. Com ela tive o primeiro contato com a música clássica. Adorava ficar ouvindo ela tocar e quando me ensinava algumas músicas. Até compus uma pequena melodia, que eu chamava "japonesa". Engraçado, só hoje quando resolvi escrever percebi a importância que isso teve em minha vida. Talvez não fosse quem eu sou se não fosse por ela... Saudades... Acredito que o amor pela dança partiu desse momento na infância pois sempre que ouço uma música a dança invade meu corpo como se para cada som existisse um movimento para desenhá-lo. Além disso, fui criada assistindo filmes hollywoodianos e principalmente ou preferivelmente musicais de Fred Astaire e Gene Kelly, onde a dança era o ponto máximo e me faziam imaginar que em algum lugar existisse em mundo onde todos dançassem... Nesse mundo as paixões e os desejos eram externados através da dança. Acho que até hoje penso em como seria lindo esse mundo.